No Vaticano, o cuidado com a criação é o verdadeiro espírito de Natal da Árvore na Praça São Pedro neste ano, sem esquecer da fé e da tradição.
A Praça São Pedro ganhou seu grande símbolo natalino nesta quinta-feira (27), o tradicional abeto de Natal, agora posicionado ao lado do Obelisco, no coração do Vaticano. A árvore, que chega a quase 27 metros de altura, veio do vale alpino de Ultimo, no Alto Ádige, na Itália, em uma região conhecida por sua forte cultura montanhesa e pela gestão responsável de seus bosques.
A tradição das árvores no Vaticano
Desde 1982, durante o pontificado de São João Paulo II, a Praça São Pedro recebe anualmente uma árvore de Natal, sempre um presente de regiões da Europa que valorizam a preservação ambiental.
Normalmente, o Vaticano recebe um grande abeto para a praça e outras árvores menores, usadas em escritórios e prédios da Santa Sé. Neste ano, todos os exemplares foram doados pelos municípios de Lagundo e Ultimo.
Além da árvore, o presépio instalado ao lado também vai compor a paisagem clássica do Advento. A montagem deste ano vem da província de Salerno, na Campânia, com elementos típicos de Nocera.
Cuidado ambiental no corte da árvore
O corte do abeto seguiu critérios rigorosos de proteção florestal. Como explicou dom Ivo Muser, bispo de Bolzano-Bressanone:
“O abate da árvore não é um ato de desrespeito, mas o fruto de uma gestão florestal prudente, onde o corte faz parte de uma abordagem ativa que garante a saúde da floresta e monitora seu crescimento.”
A prática, comum nos Alpes, visa renovar as áreas verdes, favorecer o crescimento das árvores mais jovens e manter o equilíbrio do ecossistema.
O bispo também destacou o sentido espiritual desse cuidado com a natureza:
“Espero que o encanto diante da Criação seja também inspirada pela nossa árvore de Natal e que inspire reflexão. Precisamos de pessoas atentas, maravilhadas e respeitosas, que também estejam dispostas a adotar estilos de vida sustentáveis e sóbrios.”
Com o primeiro Natal do Papa Leão XIV se aproximando, o Vaticano reforça a fala de seu predecessor na Encíclica Laudato si’ que completou 10 anos: cuidar da criação é parte essencial da vivência cristã, em todos os momentos.