Dom Orlando: “Quaresma é tempo favorável de reconciliação”

A celebração da Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma; e Dom Orlando Brandes nos ajudou a refletir sobre este importante tempo que se inicia.
Imagem Dom Orlando impondo cinzas sob a cabeca do padre Eduardo Catalfo do artigo Dom Orlando: “Quaresma é tempo favorável de reconciliação”

Arcebispo de Aparecida presidiu a Missa da Quarta-feira de Cinzas, no Santuário Nacional

Nesta quarta-feira (18), os fiéis presentes noSantuário Nacional participaram da Missa de Quarta-feira de Cinzas, realizada às 9h, no Altar Central.

A celebração foi presidida pelo Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, e concelebrada pelos Missionários Redentoristas e os demais presentes.

Dom Orlando iniciou sua reflexão lembrando que a Quaresma é tempo de conversão, de alegria e não de “cara feia”.

“O salmo de hoje diz assim: ‘Senhor, dai-me de novo a alegria de ser salvo’. E o Evangelho: ‘não ande de cara feia’. Quaresma não é tempo de cara feia, é tempo de alegria e de sermos perdoados. Por isso, a virtude da Quaresma é a humildade. Tendo a humildade, eu reconheço meu pecado”.

O arcebispo reforçou que a Quaresma nos convida a reconhecer nossos pecados, a buscar a proximidade com Deus e a voltar para a casa.

“Como dizia a primeira leitura: volto para a casa como o filho pródigo, para receber a alegria do abraço do Pai. Isso é a Quaresma. Como nos ensinava Santo Afonso, não viva se flagelando por causa do pecado, tenha humildade e diga: ‘Pai, sou fraco, pequei, mas dai-me a graça de recomeçar’.”

Ele recordou que não existe vergonha em reconhecer nossos pecados, pelo contrário, é preciso reconhecer onde erramos e deixar que o Senhor nos cure.

“O Tempo da Quaresma, irmãos e irmãs, é esse tempo da nossa fraqueza, abraçada pelo Pai. Deixemo-nos abraçar, porque voltamos para a casa.”

Ao refletir sobre o significado litúrgico da celebração que marca o início da Quaresma, Dom Orlando mostra como é bonito sermos reconciliados.

“Por ser Quarta-feira de Cinzas, na humildade nós reconhecemos o nosso barro, a nossa cinza, mas o oleiro nos refaz, sermos refeitos, restaurados pelas mãos do divino oleiro, que suja suas mãos com o nosso barro.”

O arcebispo explicou que, na Quaresma, as leituras são especiais para tocar o nosso coração e fazermos desse tempo uma experiência profunda com o encontro com Jesus Cristo.

“A Quaresma nos ajuda a sermos discípulos, seguidores de Jesus na Cruz, com a esperança da ressurreição.”

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As penitências

É tradição que os cristãos católicos escolhampenitências para vivenciar a Quaresma, fazendo referência ao período que Jesus passou no deserto e também para se preparar para vivenciar verdadeiramente a Semana Santa e a Páscoa.

Dom Orlando destacou que a Quaresma “é tempo favorável de reconciliação”, e sugeriu que essa possa ser uma penitência para os cristãos.

“Certamente, uma boa penitência da Quaresma não é só não comer carne ou fazer jejum, isso é muito bom, mas a maior penitência é abraçar quem não me ama. Isso é penitência, isso é pé no chão, os meus pés irem ao encontro de quem me ofendeu.”

E explica que o perdão deve fazer parte da vida do cristão, e que devemos pensar também nas penitências da nossa realidade, da nossa atualidade.

“Penitência é perdão, é conversão da nossa comunicação, disse o Sínodo da Sinodalidade. Conversão do nosso relacionamento interpessoal. Somos doutorados em mídias, inteligência artificial, somos péssimos em relacionamento interpessoal. Quaresma é abraçar os irmãos.”

Ele ainda reforçou a sugestão de penitência do Papa Leão XIV, que é para que cada um cuide de sua língua.

“O Papa Leão nos deu uma boa sugestão para essa Quaresma: abstinência de palavras ofensivas, abstinência de palavras agressivas, desarmar nossa linguagem, desarmar a nossa língua, fazer o jejum da língua, esse é muito agradável a Deus. Não agredir com palavras.”

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Três conselhos de Jesus

Ao finalizar sua reflexão, Dom Orlando destacou os três conselhos que Jesus nos deu no Evangelho de hoje:

Tenha fé: “se tiver fé, você vai rezar e rezar bem, não para ser visto pelas pessoas”.

Jejum: “eu tenho esperança de ser melhor. Se oração é fé, jejum é esperança. Jejum para receber o abraço de Deus e abraçar os irmãos”.

Esmola: “nossa caridade, nossa partilha. Esmola é a gente sofrer a mão de nossos irmãos, porque a esmola nos leva a essa compaixão”.

Confira algumas fotos da celebração:

Veja como foi a celebração:

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