Leão XIV pede que a notícia não transforme a guerra em um videogame, mas que traga a realidade do sofrimento por meio dos olhos das vítimas
O Papa Leão XIV pediu atenção à forma como os conflitos são retratados na mídia. A fala ocorreu durante encontro com profissionais do telejornal TG2, da emissora RAI, que celebrou 50 anos.
Na audiência realizada na Sala Clementina, no Vaticano, o Pontífice destacou o papel do jornalismo em tempos de guerra. Ele alertou para o risco de transformar o sofrimento humano em espetáculo.
“Cabe a vocês mostrar o sofrimento que a guerra sempre traz às populações; mostrar o rosto da guerra e contá-la com os olhos das vítimas para não transformá-la em um videogame. Não é fácil nos poucos minutos de um telejornal e dos seus espaços de aprofundamento. Mas é aí que está o desafio.”
Jornalismo entre tecnologia e responsabilidade
Ao recordar a trajetória do TG2, fundado em 1976, o Papa mencionou mudanças importantes no setor. Entre elas, a passagem do sistema analógico para o digital.
“Penso na transição do sistema analógico para o digital, na qual vocês foram protagonistas ao aproveitar as oportunidades e compreender que nenhuma novidade tecnológica pode substituir a criatividade, o discernimento crítico e a liberdade de pensamento.”
O Pontífice também abordou o impacto da inteligência artificial. Segundo ele, a comunicação precisa manter o foco na pessoa humana.
“E se o desafio do nosso tempo é aquele da inteligência artificial, penso na necessidade de regular a comunicação de acordo com o paradigma humano e não com o tecnológico. O que significa, em última instância, saber distinguir entre os meios e os fins.”
Risco de propaganda e perda de pluralismo
Durante o discurso, Leão XIV reforçou a importância do pluralismo e da abertura ao diálogo. Ele destacou que o histórico do TG2, marcado por diferentes visões culturais, ainda serve como referência.
O Papa alertou para o perigo de buscar apenas informações que confirmem opiniões pessoais. Essa postura, segundo ele, enfraquece a liberdade e a qualidade da comunicação.
“Sempre, mas de maneira especial nas circunstâncias dramáticas de guerra, como as que estamos vivendo, a informação deve evitar o risco de se transformar em propaganda. E a tarefa dos jornalistas, ao verificar as notícias, para não se tornar megafone do poder, torna-se ainda mais urgente e delicada, diria que essencial.”
Ao final, o Papa reafirmou o papel essencial do jornalista na sociedade. Para ele, informar com verdade exige sensibilidade e compromisso com as vítimas dos conflitos.
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