Nossa Senhora de Filermo é a padroeira do Mediterrâneo e da Soberana Ordem Militar e Hospitalar dos Cavaleiros de São João de Jerusalém de Rodes e de Malta, sendo celebrada em 8 de Setembro. Ao longo de sua história foi uma das imagens mais veneradas da Virgem registrada no mundo latino e grego, com autoria atribuída a Lucas, o evangelista.
Ele (Lucas) o submete à aprovação da Santa Virgem, ainda em vida. Esta acolhe com alegria a santa imagem e diz: “Que a graça d´Aquele, que por Mim foi gerado, esteja nela!” (Prólogo de Ohrid. São Nicolau Velimirovic).
Executada no ano 46, passou no séc. III para Antioquia, e após a conversão de Constantino, retorna a Jerusalém, permanecendo até o início do séc. V, quando segue a Constantinopla, até que os cristãos o ocultem no período iconoclasta. Após a conquista de Jerusalém em 1099, na Primeira Cruzada, os Cavaleiros Hospitalários recebem três relíquias, ou seja, o ícone de Nossa Senhora, a mão de São João Batista e um pedaço da Vera Cruz, para os manterem sob sua custódia. Após a queda de Jerusalém e Acre, os cavaleiros se estabeleceram em Chipre e mais tarde em Rodes, sempre levando-as consigo.
A atual designação “Filermo” é devida ao fato de ter sido venerada em sua capela dedicada no Monte Filermo, em Rodes.
Tem sido objeto de devoção ao qual foram referenciados diversos milagres, incluindo as inúmeras vitórias em batalhas, como as duas ocorridas sobre os cercos turcos a Rhodes, em 1480 e 1503, ter sido salva milagrosamente de um incêndio em Malta em 1532, da vitória sobre o cerco turco a Malta em 1565 e a vitória na Batalha de Lepanto em 1571.
Após a perda de Malta em 1798 seguiu para a Rússia, juntamente com as outras duas relíquias, sendo salva da revolução bolchevique de 1917 na bagagem da Imperatriz Maria Feodorovna, mãe do Czar, em sua fuga para a Dinamarca. Após a morte da czarina, a Virgem de Filermo segue para a Iugoslávia, onde, em 1941, foi escondida diante da invasão nazista, no Mosteiro de Ostrog. Após seu reencontro, foi transferida com a cobertura russa de ouro, cravejada de rubis, diamantes e safiras, tendo a cruz de oito pontas ao fundo, juntamente com as outras duas relíquias, para o Museu Nacional de Cetinje, em Montenegro, onde está até hoje.
Suzana Pirani Meyer Castilho Garcia
Dama de Graça Magistral S.M.O.M.