A devoção a Nossa Senhora do Carmo nasceu no Monte Carmelo, uma cadeia montanhosa localizada na Terra Santa, próxima à atual cidade de Haifa, em Israel. O lugar aparece na Sagrada Escritura, especialmente ligado ao profeta Elias, que ali defendeu a fé no Deus de Israel. Por essa razão, Elias seria reconhecido posteriormente pelos carmelitas como seu pai e inspirador espiritual.
Foi no início do século XIII que um grupo de eremitas cristãos passou a viver no Monte Carmelo, dedicando-se à oração, ao silêncio e à meditação da Palavra de Deus. No centro das pequenas celas onde moravam, eles construíram uma capela dedicada à Virgem Maria. Por causa dessa escolha, ficaram conhecidos como Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, nome que deu origem à Ordem dos Carmelitas.
O título “Nossa Senhora do Carmo” não se refere, portanto, a uma nova manifestação de Maria, mas à própria Mãe de Jesus venerada como padroeira, mãe e irmã dos carmelitas. Os primeiros religiosos viam nela o modelo da pessoa que escuta a vontade de Deus, guarda sua Palavra no coração e permanece fiel a Cristo em todas as circunstâncias.
Com os conflitos que atingiram a Terra Santa, os carmelitas deixaram o Monte Carmelo e se estabeleceram em diferentes regiões da Europa. Mesmo longe do lugar onde a Ordem havia nascido, conservaram o nome e a espiritualidade recebidos na montanha, difundindo a devoção à Virgem do Carmo entre religiosos e leigos.
A celebração de Nossa Senhora do Carmo começou a ganhar forma no século XIV, inicialmente na Inglaterra, e depois se espalhou por toda a Ordem. No início do século XVII, a data já era considerada a principal festa mariana dos carmelitas. Em 1726, o Papa Bento XIII estendeu sua celebração a toda a Igreja, fixada em 16 de julho.
A devoção também se tornou conhecida por meio do escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Uma antiga tradição carmelitana associa sua difusão a São Simão Stock, superior da Ordem no século XIII, que teria recebido de Maria esse sinal de proteção e pertença. Originalmente parte do hábito religioso, o escapulário passou a ser usado em tamanho reduzido pelos fiéis que desejavam participar da espiritualidade do Carmelo.